Índice de Competitividade Global de Talentos 2015-16

INSEAD, a Escola de Negócios para o Mundo, lançou, no dia 19 de janeiro, o Índice de Competitividade Global de Talentos (GTCI) 2015-16, um estudo anual com base em pesquisas em parceria com o Grupo Adecco e do Instituto de Liderança do Capital Humano de Cingapura (HCLI).

O tema deste ano, “Atração de Talentos e Mobilidade Internacional”, se concentra em descobertas relacionadas à correlação significativa entre a mobilidade de talentos e a prosperidade econômica. A mobilidade é vital para preencher lacunas de formação; um grande número de pessoas empreendedoras e inovadoras nasceu ou estudou no exterior. Não é surpreendente, portanto, que os países do topo do ranking têm se posicionado como destinos desejáveis para trabalhadores altamente qualificados. Confrontados com os novos tipos de fluxos migratórios, tomadores de decisão precisam formular políticas e estratégias para abordar tanto as preocupações imediatas dos seus círculos eleitorais como os interesses em longo prazo de seus cidadãos.

Os três países com melhor posição em relação à competitividade de talentos são: Suíça em primeiro lugar, seguido por Cingapura e Luxemburgo, respectivamente, mantendo a mesma classificação de 2014.

 

Classificação do Índice de Competitividade Global 2015-16: Top 10
1 Suíça 6 Suécia
2 Cingapura 7 Reino Unido
3 Luxemburgo 8 Noruega
4 EUA 9 Canadá
5 Dinamarca 10 Finlândia

 

Países classificados no top 10 demonstram claramente a abertura em termos de mobilidade de talentos – perto de 25% das populações da Suíça e Luxemburgo são originais de países estrangeiros; a proporção é ainda maior em Cingapura, 43%. A proporção também é significativa em países como Estados Unidos (4), Canadá (9), Nova Zelândia (11), Áustria (15) e na Irlanda (16). Houve pouca mudança no top 20 desde o lançamento da última edição do relatório GTCI, com exceção da República Tcheca (20), que entrou nesse grupo, da Nova Zelândia, que melhorou seu desempenho de forma significativa, e do Canadá e da Irlanda, que apresentaram declínios consideráveis.

Em contra partida, o Brasil apresentou queda significativa em sua posição, já que, em 2014, ficamos na 49° lugar e, neste ano, nos classificamos em 67°. É importante ressaltar que o estudo avaliou 109 países, e ficamos atrás de países em desenvolvimento como Malásia, Costa Rica e Arábia Saudita.

Comentando estes resultados, Ilian Mihov, reitor do INSEAD, disse: “Com a dinâmica dos mercados de trabalho globais mudando rapidamente, o GTCI é cada vez mais relevante para os principais influenciadores à procura de instrumentos quantitativos e recomendações para ajudar a impulsionar a competitividade e construir uma ponte sobre os desafios trabalhistas que enfrentam; até mesmo as grandes economias como a China, Alemanha e Brasil não estão livres de deficiências graves de trabalho”. Ele ainda acrescentou: “Estamos certos de que o GTCI 2015-16 enfatiza a importância da educação profissional e tem gerado um feedback positivo em todo o mundo. Agora, estamos vendo a formação profissional emergindo como um pilar em muitas abordagens políticas. Nos próximos anos, estamos ansiosos para envolver continuamente nossa audiência global no diálogo de alta qualidade como parte de nossos esforços para ajudar os influenciadores e tomadores de decisão a impulsionarem a competitividade e prosperidade de talentos”.

Alain Dehaze, CEO do Grupo Adecco, também destacou: “o mundo do trabalho está mudando mais rápido do que nunca, trazendo grandes desafios e oportunidades. 200 milhões de pessoas estão desempregadas e cerca de 1 em 2 tipos de emprego está em risco devido à automação. Com a digitalização e o avanço das tendências de envelhecimento (a escolha por profissionais cada vez mais jovens é uma realidade), o GTCI confirma a importância da mobilidade de talentos, fundamental para impulsionar a competividade e equilibrar os excedentes e défices de competências em todo o mundo. Países campeões em talentos demonstram que, para atraí-los, os governos devem investir em centros de educação e conhecimento, bem como reduzir a burocracia e simplificar os mercados de trabalho. Os empregadores devem promover a mobilidade de talentos e investir em uma alta conectividade para capitalizar tecnologias, aproveitar as oportunidades oferecidas pela economia global e gerar empregos”.

Wong Su-Yen, CEO do Instituto de Liderança do Capital Humano (HCLI) comentou: “a circulação de talentos entre países é sustentada por um conjunto completo de fatores econômicos, políticos e sociais. A formação da Comunidade Econômica da ASEAN (AEC) demonstrou que os países que são tradicionalmente conhecidos como ‘ímãs de talentos’ podem perder os seus talentos locais para outros mercados emergentes. Temos de estar conscientes que, quando se trata de competitividade de talentos entre países, profissionais qualificados não são permanentes e, muitas vezes, procuram por ‘pastos mais verdes’ e agarram outras oportunidades de carreira, locais ou globais. O desafio, portanto, é aos países, na inovação de como eles constroem, atraem e retêm talentos”.

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Através da análise e comparações das pontuações registadas por países individualmente, uma série de padrões e semelhanças surgiu, convergindo para oito mensagens-chave relacionadas com o tema deste ano:

  • Mobilidade tornou-se um ingrediente-chave no desenvolvimento de talentos: um talento criativo não pode ser plenamente desenvolvido se a mobilidade internacional e “circulação de cérebros” não forem incentivadas.
  • O debate sobre a migração necessita de passar de emoções para soluções: países tratarão da mobilidade de pessoas com mais relevância se encararem a retenção de grandes talentos como um investimento favorável aos seus negócios.
  • Práticas de Gestão fazem a diferença na atração de talentos: além de incentivos monetários e padrão de vida, outro diferencial importante na atração de talentos é o profissionalismo da gestão e o investimento no desenvolvimento dos colaboradores.
  • Enquanto as pessoas continuam se mudando em função de empregos e oportunidades, os empregos agora estão se mudando para onde o talento está: alguns países já começaram a atrair a atenção de investidores internacionais por causa de talentos criativos a um custo razoável: China, Coréia do Sul, Filipinas e Vietnã na região Ásia-Pacífico; Malta, Eslovênia, Chipre e Moldávia na Europa; Turquia, Jordânia e Tunísia na região do Oriente Médio e norte da África; e Panamá na América Central.
  • Novos ‘ímãs de talentos’ estão surgindo: enquanto os EUA, Cingapura e Suíça têm sido atraentes para talentos, a concorrência pode se tornar feroz entre os centros de talentos emergentes, como Indonésia, Jordânia, Chile, Coreia do Sul, Ruanda e Azerbaijão, destinos cada vez mais procurados.
  • Trabalhadores com baixas qualificações continuam sendo substituídos por robôs, enquanto que profissionais qualificados são substituídos por algoritmos: como a mobilidade continua sendo redefinida em novas formas, especialmente através da tecnologia, profissionais qualificados estão sendo afetados, e isso sinaliza uma mudança que áreas inteiras de atividades podem ser substituídas. Algumas pessoas podem ter que trabalhar virtualmente de suas casas para diferentes empregadores, enquanto que outros terão que se reciclar, se capacitar e se mudar para obter melhores empregos.
  • Em um mundo com alto tráfego de talentos, cidades e regiões estão se tornando jogadores críticos na competição por talentos globais: a agilidade e a reputação das cidades parecem ser mais relevantes que o seu tamanho, uma vez que o número de grandes cidades que adota políticas ‘imaginárias’ para atrair talentos globais vem crescendo.
  • A escassez de competências profissionais continua prejudicando países emergentes: a carência por profissionais competentes ainda é uma realidade em países emergentes, como na China, Índia, África do Sul e particularmente no Brasil, onde as qualificações dos talentos mostram sinais de enfraquecimento em todas as frentes. Isto também tem acontecido em países desenvolvidos como Irlanda, Bélgica e Espanha.

 

A cobertura de países pelo GTCI neste ano melhorou, permitindo que o relatório cobrisse 109 países (versus 93 em 2014), representando 83,8% da população mundial e 96,2% do PIB do mundo.

Para mais informações sobre o Índice de Competitividade Global de Talentos, e para baixar a versão completa, visite http://adec.co/GTCIreport2015

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