Alain Dehaze: mobilidade internacional promove a “circulação de mentes brilhantes”

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Para Alain Dehaze, CEO da Adecco Group, a mobilidade internacional de talentos estimula a “circulação de mentes brilhantes” entre países, favorecendo a economia e a sociedade como um todo. Confira o seu depoimento:

 

Nos últimos 25 anos, eu vivi em cinco países trabalhando com equipes altamente multiculturais. Meus quatro filhos passaram por quatro diferentes idiomas e sistemas educacionais. Todos atualmente estudam no exterior.

Meus instintos nômades não feriram a minha carreira. Meus filhos, obviamente, também não foram prejudicados. Não foi difícil vende-los a ideia de descolamento: como muitos de sua geração, eles consideram essas viagens como uma condição para o seu desenvolvimento pessoal e satisfação de trabalho.

É leviano, no entanto, afirmar que a mobilidade é a solução para o desenvolvimento e satisfação profissional – e muito menos para males globais mais amplos. É preciso muito mais que carimbos em seu passaporte para conseguir efetivamente subir a escada competitiva. Um estudo acadêmico válido de ser conferido examinou o grupo LVMH da França (http://www.essec.edu/faculty/showRef.do?bibID=3333). Mas, já que muitos estudantes universitários do último ano estão se preparando para finalizar suas graduações para então adentrarem no mundo do trabalho, deixe-me pleitear a mobilidade como um requisito fundamental para suas carreiras profissionais, bem como para o mercado de trabalho e a sociedade de um modo geral.

Claro que o trabalho é complexo e instável, e muitos recém-formados terão de se esforçar. Regulamentações globais do mercado de trabalho continuam sendo a única barreira mais importante para a utilização eficaz do capital humano. Contudo, o desejo de abraçar a mobilidade internacional é uma qualidade crucial para a construção de carreiras individuais e para combater o desemprego crônico e o aumento da carência de competências técnicas ao redor do mundo. “O envelhecimento da população e o declínio da força de trabalho na maioria das economias desenvolvidas do G20 e algumas das grandes economias emergentes (como o Brasil) sugerem que os trabalhadores estrangeiros terão um papel importante na manutenção da oferta de trabalho e no preenchimento da escassez de competências”, afirmou o ILO, OECD e o Banco Mundial em uma publicação influente no ano passado (http://www.ilo.org/wcmsp5/groups/public/—dgreports/—dcomm/—publ/documents/publication/wcms_398078.pdf).

Para o indivíduo, a mobilidade oferece uma oferta de oportunidades de trabalho muito maior do que é oferecido internamente em seu país de origem. A mobilidade constrói melhores líderes capazes de navegar em um mundo globalizado; ela ajuda esses profissionais a se tornarem mais sensíveis, adaptáveis e flexíveis culturalmente, construindo um importante networking, além de aprimorar habilidades para a resolução de problemas e criatividade. Acadêmicos – particularmente cientistas – há muito tempo reconheceram o valor migrarem entre universidades e laboratórios para aprimorar as suas habilidades.

As empresas devem promover uma cultura de mobilidade e diversidade, facilitando o trabalho em vários locais globais e contratando a partir de um pool de talentos internacionais. Práticas de gestão da qualidade também são fundamentais: as pessoas são atraídas por empresas onde as oportunidades atribuídas ao mérito e ao investimento no desenvolvimento de talentos é uma prioridade.

O valor da mobilidade internacional se estende dos benefícios dos indivíduos e é inquestionável a nível macro também. O Índice de Competitividade Global de Talentos, um estudo que a Adecco produz anualmente com o INSEAD e o Instituto de Liderança de Capital Humano – HCLI demonstra que a abertura para talentos estrangeiros é uma chave para o sucesso (http://www.adecco.com/industry-insights/gtci.aspx). Os três países classificados nos primeiros lugares, Suíça, Cingapura e Luxemburgo, seguidos por outros de alto desempenho como Estados Unidos e Reino Unido têm, historicamente, uma tradição em receber imigrantes. No Reino Unido, por exemplo, 7% de toda a sua força de trabalho (ou 2,1 milhões de pessoas) vem dos demais membros da União Europeia. Isso é um pensamento provocante em meio ao debate do referendo da UE. Uma pesquisa feita pela Adecco UK e a Social Market Foundation aponta que grande parte das empresas britânicas conta com imigrantes altamente qualificados vindos de mais países da Europa. (http://www.adeccogroupuk.co.uk/en-GB/unlocking-britains-potential/Pages/Brexit.aspx).

Imigração, é claro, é um assunto delicado. Ao invés de “ganho de mentes brilhantes” ou “fuga de mentes brilhantes”, prefiro falar de “circulação de mentes brilhantes” – a oportunidade, ou melhor, a necessidade de pessoas talentosas circularem facilmente entre países. Essa interação beneficia países através da transferência de competências, compartilhamento de habilidades, networking e mitigação da diáspora. “Imigrantes fazem importantes contribuições para as economias de ambos os países, tanto o de destino como o de origem”, acrescentaram o ILO, a OECD e o Banco Mundial em seu estudo.

Os países devem se esforçar para promover a mobilidade através de políticas de imigração adequadas e uma regulação simplificada. A educação também é crucial: o investimento em treinamento formal e profissional tem demonstrado o aumento no número de empregos nacionais, bem como na atração talentos do exterior. Mais ambiciosamente, os países devem desenvolver polos de ensino, já que estes são ímãs comprovados para a atração de talentos de alto calibre.

Eu não sei o que os meus filhos vão fazer com suas vidas ou se algum deles irá se tornar um CEO. Mas estou certo – com base em minha experiência e nos conhecimentos adquiridos trabalhando na empresa líder global no fornecimento de serviços de Recursos Humanos – que incentivá-los a se tornarem internacionalmente móveis irá beneficiar as suas perspectivas pessoas e profissional imensamente.

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Alain Dehaze – CEO Adecco Group

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