“Os empregadores devem focar nas capacidades, não nas deficiências”

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Shanthi Flynn, Diretora Global de Recursos Humanos do Grupo Adecco

Incluir pessoas com deficiência e/ou incapacidades no mercado de trabalho pode oferecer às empresas uma perspectiva mais ampla e promover a capacidade de solucionar problemas de maneiras diversas; é o que diz Shanthi Flynn. “Ao se concentrar nas capacidades em vez das deficiências, é muito mais provável que você consiga um melhor resultado”, afirmou aos participantes do International Paralympic Committe Inclusion Summit, no Rio de Janeiro, na última sexta-feira, 16 de setembro. “Eu acredito que competência e habilidades são muito mais importantes que as coisas que você não pode fazer”.  Como Diretora Global de Recursos Humanos da Adecco, Flynn ajuda a liderar o IPC Programa de Transição de Carreira para Atletas (IPC Athlete Career Programme), que visa orientar atletas através da aprendizagem de novas habilidades e ampará-los em sua transição de carreira, bem como aplicar testes vocacionais e treinamentos específicos voltados para o seu desenvolvimento, ajudando-nos a alcançar suas aspirações de trabalho.

Flynn começou o segundo dia do IPC Inclusion Summit durante os Jogos Paralímpicos Rio 2016, explicando o início do programa e por que as empresas precisam começar a se tornar totalmente inclusivas. “Eu acho que o incentivo à contratação de pessoas com habilidades distintas diz respeito a se concentrar no que elas fazem melhor”, afirma. “Quando você vê os atletas paralímpicos – sua paixão, seu foco e suas habilidades no esporte -, percebe que é necessário apenas um passo para que eles transfiram tudo isso ao ambiente de trabalho. Não há nenhuma razão para que essas habilidades não sejam usadas para gerar equipes de alto desempenho em qualquer função ou atividade profissional”.

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Shanthi durante o IPC Inclusion Summit, no Rio

Shanthi ainda diz que, a fim de que os empregadores possam perceber que as pessoas com deficiência são tão capazes quanto qualquer outra, elas precisam da exposição das incríveis habilidades dos para-atletas servindo como referência de suas competências. “Eu acho que, ao assistir aos vídeos dos atletas paralímpicos, você não apenas deve admirá-los, mas ser inspirado por eles. Ter o privilégio de estar fisicamente no Rio de Janeiro nos dá a chance de perceber quão incríveis eles são, e isso permite uma percepção de mudança. A menos que as pessoas sejam expostas a isso, é difícil mudar essa percepção”.

Ela acrescenta que, diferentemente dos atletas olímpicos, os atletas paralímpicos muitas vezes preferem trabalhar ao mesmo tempo em que estão participando de competições esportivas de alto nível. É possível que isso aconteça necessariamente e potencialmente como resultado da dificuldade em se encontrar os mesmos tipos de oportunidade de patrocínio que os atletas olímpicos muitas vezes desfrutam.

“Certos tipos de trabalho podem não ser tão acessíveis às pessoas com deficiência e muitas oportunidades acabam vindo mais tarde, então, o desafio maior para elas e para nós, facilitadores de emprego, é saber aproveitar suas habilidades da melhor forma possível. O trabalho está se tornando mais flexível e as pessoas estão ansiosas por isso, independentemente se elas têm deficiências ou não”.

Shanthi finalizou sua apresentação dizendo que as habilidades esportivas dos atletas podem torná-los membros valiosos nas organizações. “Não se trata apenas de inspiração, é incrível perceber o quanto os atletas são focados e como eles têm a capacidade de se conduzirem para o sucesso contra todas as probabilidades, a maneira impressionante como eles trabalham em equipe e, ao assisti-los, você conclui que não consegue fazer as mesmas coisas que eles fazem”, ressalta. “Não há nenhuma razão que justifique que, com esse tipo raro de paixão, você não possa traduzir e adaptar ao ambiente de trabalho”.

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