Como proteger o futuro do trabalho de um mundo globalizado e hiperconectado

Businessman looking to the future with telescope over the ocean

Em uma época de globalização e hiperconectividade, muitos paradoxos afetam o mundo do trabalho: recorde de desemprego apesar da alta oferta de vagas; a insegurança de manter-se em um emprego diante da automação e dos avanços tecnológicos que, em contrapartida, geram uma série de novas oportunidades; e mercados em expansão coexistindo com segmentos estagnados ou em declínio.

Então, como podemos garantir um futuro de trabalho onde esses paradoxos sejam anulados? Não há uma resposta exata e única, mas um primeiro passo valioso é saber compreender as condições subjacentes que determinam o cenário de trabalho atual. Uma vez que nós tenhamos essa compreensão, torna-se um pouco mais fácil para determinar o que pode ser feito.

 

Os cinco componentes latentes do mundo do trabalho

Acreditamos que existam cinco principais cenários que sustentam o mercado de trabalho atual e o futuro. São eles:

Econômico: a economia globalizada atual está sujeita a mudanças constantes e imprevisíveis. A fim de preservar a competitividade, a flexibilidade é uma obrigação: a força de trabalho contingente tem um papel fundamental a desempenhar em resposta à crescente necessidade das empresas em se adaptarem às variações econômicas locais, nacionais e globais que tanto afetam os negócios e, por conseguinte, a oferta do mercado de trabalho.

Tecnológico: sabemos como a digitalização tem impulsionado uma grande automação de postos de trabalho – 1 de cada dois trabalhos atuais está em risco de extinção em razão do progresso da automação. Contudo, o risco varia por país e baseia-se nas políticas e investimentos dos governos locais. Por exemplo, em países cujo salário médio é baixo, como o Brasil, que tradicionalmente atraíam empresas de manufatura, o aumento da automação pode impactar negativamente sua vantagem competitiva baseada em custos. O panorama brasileiro exige novos modelos de crescimento e a otimização das habilidades e competências técnicas da força de trabalho. Empresas que investem em segmentos especializados em informação como finanças, tecnologia e indústrias criativas continuam relativamente a salvo da automação. O melhor caminho a seguir diante do progresso da automação e do desemprego é, então, impulsionar um dinamismo tecnológico e atrair trabalhadores cada vez mais qualificados.

Demográfico: estamos vivendo mais e tendo menos filhos. Até 2035, pessoas com idade superior a 65 anos serão a fatia da população com crescimento mais acelerado e, em 2050, a média passará para 75 anos. Nesse meio tempo, onde iremos adquirir os jovens talentos que precisamos para o desenvolvimento de nossas empresas e sociedades? Em 2020, muitos países ainda estarão experimentando uma mão de obra excedente, no entanto, 10 anos mais tarde, esse superávit se transformará em um grande déficit. A abertura das ofertas de trabalho de outros países é uma solução fundamental para enfrentar as lacunas de competências e de produtividade trazidas pelas convergências do envelhecimento da população. A mobilidade internacional de profissionais, portanto, orientada por políticas de imigração adequadas, poderá ajudar a equilibrar as altas e baixas ofertas de trabalho qualificado em todo o mundo.

Social: com base nesse cenário, pela primeira vez, na posição de empregadores estamos lidando com quatro gerações no ambiente de trabalho, potencialmente espalhados em todo o mundo (Baby Boomers, X, Y e Z). Efetivamente, nós precisamos nos adaptar e abraçar a mobilidade, a divergência de opiniões e de comportamentos e a diversidade em todas as suas esferas.

Governamental: é o fio tênue que envolve todos os outros fatores. No Brasil, a complexa legislação trabalhista afasta a criação de empregos, enquanto o sistema de ensino, que deveria preparar e desenvolver profissionais com as habilidades necessárias para atender às demandas de trabalho, muitas vezes é precário e inacessível a grande parte da população.

 

Cinco principais tendências que definem o futuro do trabalho

Em grande parte como uma consequência dos cinco componentes citados acima, podemos também identificar cinco principais tendências do futuro do trabalho.

A tecnologia da informação está tornando a localização física do trabalho irrelevante, o que significa que podemos trabalhar em qualquer lugar e a qualquer hora.

Além disso, a mobilidade global de talentos fornecerá aos empregadores um pool global de profissionais qualificados e, com isso, além do potencial para preencher as lacunas de requisitos e competências técnicas, ela também irá fomentar a criação de novos conhecimentos, fator determinante do processo de inovação, e estimular o empreendedorismo em mercados distintos.

A força de trabalho inclusiva será onipresente em termos de idade, gênero e origem cultural. Os empregadores precisam promover e aplicar políticas de inclusão e diversidade, de modo que todos os colaboradores se sintam confortáveis com elas.

A combinação tradicional entra vida pessoal e profissional irá mudar. A hiperconectividade aumentará a autonomia potencial dos colaboradores e o trabalho ocorrerá fora dos horários e espaços de trabalho tradicionais.

As novas gerações têm atitudes distintas em relação ao trabalho. O conceito proverbial de “trabalhar para viver” provavelmente se perderá com o tempo, e uma cultura de mudança constante, novos desafios, flexibilidade de trabalho, responsabilidades pessoais e a queda de estruturas hierárquicas irá compor o novo modelo de funcionamento organizacional.

 

Como podemos assegurar coletivamente o futuro do trabalho

O que precisamos fazer para lidar com essas mudanças e aproveitar as oportunidades disponíveis? Para prosperar nesta nova realidade, as empresas devem promover a mobilidade, aumentar a diversidade e proporcionar a formação contínua. Da mesma forma, elas devem estar à vontade com a flexibilidade e autonomia dos seus colaboradores, bem como manter as gerações mais novas supridas com rotinas de trabalho em que elas possam se identificar e defender.

Os códigos trabalhistas devem ser mais simples, de modo que fomentem a criação de empregos e tornem mais fácil preencher a ausência de competências através da aquisição de talentos oriundos de outros lugares. Enquanto isso, os governos devem apoiar programas de educação que correspondam às necessidades do mundo real de negócios.

Finalmente, nós temos pessoas! Para ajudar a garantir as suas perspectivas profissionais, os indivíduos devem adotar um espírito de aprendizagem constante e abordar novas oportunidades a partir de uma perspectiva global, não apenas local. Existe um mundo novo lá fora em que as novas demandas podem parecer no mínimo intimidadoras, mas, nestes tempos, tal compromisso pode ajudar a garantir uma carreira verdadeiramente fértil e promissora.

 

3 comentários sobre “Como proteger o futuro do trabalho de um mundo globalizado e hiperconectado

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