Construindo uma força de trabalho na era da economia GIG

Um mercado de trabalho que compreende, de um lado, trabalhadores temporários e sem vínculo empregatício (freelancers, autônomos) e, de outro, empresas que os contratam independentes para serviços pontuais. Bem-vindo ao futuro!

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Você se lembra da vida antes do Uber? Ou quando o Airbnb soava como uma pequena pousada em algum lugar no topo de uma montanha? Bem, pense outra vez. O conceito de economia do compartilhamento, também chamada de economia sob demanda ou simplesmente GIG, veio para ficar.

Setores como o de recrutamento e seleção, o de negócios compartilhados e o de comunicações, cuja interação sempre fora inimaginável, agora estão agrupados sob um mesmo conceito valioso que vem crescendo progressivamente cerca de 140% desde 2012. O investimento neste tipo de economia subiu 20 vezes entre 2010 e 2014. O mercado de locação de serviços tradicional e a economia do compartilhamento estarão no mesmo nível em valores até 2025, calcula o PwC.

A transformação digital e a convergência tecnológica que permitiram a ascensão da economia de compartilhamento também afetaram o mundo laboral. E como as empresas podem construir uma força de trabalho consistente na economia GIG? E como os funcionários podem se adaptar às formas de trabalho radicalmente diferentes? Para preencher essas lacunas, desafios estão se desenvolvendo em um contexto global cada vez mais complexo, com muitas economias ainda trêmulas, tornando o planejamento corporativo mais arriscado do que nunca em meio a mudanças contínuas e imprevisíveis.

O mundo de trabalho já se moldou à medida que as empresas passaram de um modelo tradicional de força de trabalho para um mix de profissionais efetivos e temporários para ganhar flexibilidade. Para permanecerem competitivas na economia GIG, as companhias terão que se tornais ainda mais ágeis e flexíveis.

Empresas como Uber, Airbnb, Amazon e similares dependem do trabalho de curto prazo e sob demanda. Os indivíduos que lhes oferecem o seu trabalho participam como contratantes independentes, ou seja, não é um pessoal de custo fixo. Eles são mais parecidos com os artesãos especializados independentes que mudaram de emprego para emprego, mas congregados em categorias para combinar seus interesses quando necessário.

O mercado de trabalho atual exige cada vez mais flexibilidade, e a geração de hoje parece mais disposta a se adaptar às mudanças que as outras. Nos Estados Unidos, mais de 50 milhões de trabalhadores iniciaram sua vida profissional na era da economia GIG, participando de algum tipo de trabalho independente, sendo que, até 2020, está previsto que 43% dos trabalhadores americanos sejam contratados de forma independente. Ao invés de um único emprego, eles preferem o conceito de “carreira múltipla”, onde a estabilidade e um salário regular são compensados pela perspectiva de uma ampla variedade de aprendizagem contínua através da experiência de diferentes empregos e locais. Tais características podem, de fato, aumentar a empregabilidade entre os jovens, ajudando-os a adquirir habilidades diversas e se tornarem preparados para a era do futuro – que já começou.

Isso porque a economia de compartilhamento obriga as pessoas a adotar a experimentação, a inovação e a rápida mudança. Da mesma forma, os executivos pioneiros da economia compartilhada devem pensar horizontalmente, além dos silos e setores convencionais.

Nosso conselho: não ignore as qualificações formais, mas aposte sempre em “aprender para ganhar”. Nunca se esqueça de que a educação não deve parar depois da escola ou universidade; aprender é um processo da vida, especialmente diante da velocidade em que as coisas acontecem.

O aumento meteórico da economia GIG também tem implicações mais amplas e cruciais. Todos os nossos sistemas educacionais devem se adaptar às novas exigências. Precisamos da educação fundamental, média e superior alinhadas às necessidades do mundo real, do século XXI. Enquanto muitos países estão produzindo um número recorde de graduados com qualificações impressionantes, nem todos têm as habilidades certas, como resolução de problemas complexos, pensamento criativo e espírito de equipe, tão necessárias para a economia do compartilhamento. A formação profissional e a educação através de novas plataformas devem ser encorajadas, e os políticos e reguladores devem agir rapidamente para simplificar as regras específicas da indústria e impulsionar as reformas do mercado de trabalho.

Quanto aos empregadores, a economia do compartilhamento mudou as regras do jogo quando se trata de competir por talentos. Aqueles que querem se envolver e reter os melhores talentos irão precisar de culturas corporativas mais flexíveis. Eles também precisam considerar a contratação internacional e oferecer maior mobilidade para atender a demanda crescente dos recém-chegados. Desenvolver uma força de trabalho pronta para a economia GIG é um desafio e exige a cultura e as pessoas certas. Também requer mudanças substanciais, mas as recompensas são muitas e estão apenas começando.

 

Texto adaptado do discurso de Alain Dehaze, CEO global da Adecco.

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