Índice de Competitividade Global de Talentos 2017 foca em talento e tecnologia – Como estará o Brasil?

Entre 118 países avaliados, o Brasil ocupou a 81ª posição do ranking, o que comprova a escassez de investimento em tecnologia associada à obtenção de talentos no país.

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O INSEAD, a Escola de Negócios para o Mundo, lançou nesta semana a quarta edição do Índice de Competitividade Global de Talentos (Global Talent Competitiveness Index, GTCI). Produzido em parceria com o Grupo Adecco e o Human Capital Leadership Institute de Singapura (HCLI), o GTCI é um relatório anual de benchmarking que mede a capacidade dos países para competir por talentos.

O GTCI mede como os países capacitam, atraem e retêm seus talentos, fornecendo recursos para que os tomadores de decisão desenvolvam estratégias para aumentar sua competitividade por talentos. O tema desta quarta edição é Talento & Tecnologia: Moldando o Futuro do Trabalho.

A pesquisa deste ano explora os efeitos da ascensão tecnológica em relação à competitividade de talentos, mostrando que, embora empregos em todos os níveis continuem sendo substituídos por máquinas, a tecnologia também está criando novas oportunidades de trabalho. No entanto, empresas e profissionais deverão se adaptar a um ambiente de trabalho em que o know-how tecnológico, as habilidades pessoais, a flexibilidade e a colaboração são essenciais para o sucesso, bem como à nova estrutura horizontal que está substituindo hierarquias como uma inovação na configuração de liderança. Governos e empresários precisam trabalhar juntos para construir sistemas educacionais e políticas de mercado de trabalho que sejam adequadas para o propósito.

Suíça e Singapura ocupam os primeiros lugares no GTCI 2017, com quatro países nórdicos entre os dez melhores (Suécia, Dinamarca, Finlândia e Noruega). Reino Unido e Estados Unidos ocupam o terceiro e quarto lugares, respectivamente.

Índice de Competitividade Global de Talentos 2017: Top 10

1 Suíça 6 Austrália
2 Singapura 7 Luxemburgo
3 Reino Unido 8 Dinamarca
4 EUA 9 Finlândia
5 Suécia 10 Noruega

 

Os países de alto escalão compartilham características-chave, incluindo sistemas educacionais que atendem às necessidades da economia, políticas de emprego que favorecem a flexibilidade, a mobilidade e o empreendedorismo, e alta conexão de partes interessadas nos negócios e governo.

Contrariando esta realidade, o Brasil atingiu a 81ª posição no ranking entre 118 países avaliados. Este resultado é, basicamente, uma média da avaliação de pontos fundamentais, como:

1 – Habilitação (pontuação: 4,9 / posição no ranking: 78): avaliação de assuntos regulatórios, leis trabalhistas, relação entre governo e empresas, índice de corrupção, flexibilidade do mercado de trabalho, práticas de gestão etc.;

2 – Atração (pontuação: 4,3 / posição no ranking: 73): análise da disposição e abertura do mercado de trabalho para profissionais estrangeiros, índice de atração de novos negócios e pessoas, normas de imigração, análise do mercado de trabalho interno (diversidade social, mobilidade social, igualdade de gêneros) etc.;

3 – Capacitação (pontuação: 4,4 / posição no ranking: 56): avalição da qualidade da educação superior, de conhecimentos básicos (redação, ciências e matemática), aprendizagem ao longo da vida (índice de treinamentos e capacitação em empresas e desenvolvimento de seus colaboradores), acesso a oportunidades de capacitação, avaliação dos cursos de extensão e educação continuada etc.;

4 – Retenção (pontuação: 4,4 / posição no ranking: 77): análise do incentivo à sustentabilidade, qualidade de vida, tributação, segurança pessoal, saneamento etc.;

5 – Habilidades técnicas e vocacionais (pontuação: 2,8 / posição no ranking: 111): julgamento de habilidades técnicas e qualitativas, número da população com ensino superior completo, produtividade de trabalho por empregado, empregabilidade do país, relevância do sistema educacional à economia etc.;

6 – Conhecimentos globais (pontuação: 2,2 / posição no ranking: 76): habilidades de alto nível, qualidade dos profissionais de alta gestão, qualidade de instituições científicas, investimento em pesquisa, número de profissionais com pós-graduação / mestrado / doutorado completos, investimento em inovação e tecnologia, densidade do investimento em novos negócios, colaboração com o exterior etc.

Comentando os resultados globais, Ilian Mihov, Decano do INSEAD, afirmou: “Com esta quarta edição, o relatório do GTCI atingiu claramente o nível de reconhecimento internacional que pretendíamos desde que foi lançado pela primeira vez. Ao focar-se na tecnologia e no talento, o relatório deste ano aponta algumas das questões mais difíceis que a economia mundial irá enfrentar nos próximos anos, tendo de associar a criação de novas oportunidades de emprego ao crescimento sustentável, oferecendo às novas gerações a possibilidade para viver e trabalhar num mundo que reflita os valores em que acreditam. Como sublinha o relatório, o papel da educação continuará a ser fundamental para alcançar este complexo conjunto de metas. Esta é uma missão em que o INSEAD pretende desempenhar plenamente em seu papel de fornecedor de talentos e líderes”.

Bruno Lanvin, diretor executivo de Índices Globais do INSEAD e coeditor do relatório, comentou: “A tecnologia está mudando as formas de viver e trabalhar, embora nem sempre de forma espetacular: o surgimento de uma internet onipresente, internet das coisas (objetos conectados como, por exemplo, carros autodirigidos), e as equipes virtuais que trabalham de posições remotas em uma base diária foram progressivos e quase “invisíveis”. Esta é uma das razões pelas quais eles estão afetando o mundo do trabalho tão profundamente. No entanto, parafraseando Mark Twain, ‘as notícias sobre a extinção do trabalho foram amplamente exageradas’: a disponibilidade e a competitividade de talentos determinarão em grande parte quais economias estarão liderando na corrida para transformar os avanços tecnológicos em função da criação de empregos”.

Paul Evans, Professor de Recursos Humanos e Desenvolvimento Organizacional da Shell, Emérito do INSEAD e Diretor Acadêmico e coeditor do GTCI, disse: “O trabalho operacional está sendo assumido por algoritmos e máquinas, criando oportunidades de trabalho inovadoras. Mas o nosso sistema escolar, que remonta à era da fábrica, prepara os nossos filhos para trabalhos de rotina, e não para a criatividade e os projetos, negligenciando também a mentalidade de aprender como aprender num mundo onde as pessoas terão múltiplas carreiras durante a vida”.

Alain Dehaze, Diretor Executivo do Grupo Adecco, disse: “O rápido avanço da automação e inteligência artificial é a fonte das mudanças mais perturbadoras do nosso tempo, influenciando a maneira como vivemos e trabalhamos. A transição será árdua, por isso, governos e organizações já devem começar a agir. Reformas dos sistemas de ensino são urgentemente necessárias para fornecer as habilidades técnicas e as pessoas corretas, além da capacidade de se adaptar às mudanças. Como uma realidade de múltiplas carreiras se torna um conceito, os trabalhadores devem aumentar sua empregabilidade, comprometendo-se para o investimento na educação continuada, isto é, a aprendizagem ao longo da vida muitas vezes subsidiada por suas empresas ou garantidas por contra própria. Ao mesmo tempo, as políticas de emprego devem combinar a necessidade de flexibilidade dos empregadores com a proteção social. Somente trabalhando juntos iremos responder aos desafios, liderar o poder do trabalho e aumentar a prosperidade”.

Sean Hutchinson, Diretor Executivo da Adecco no Brasil, avalia a participação do nosso país no ranking: “O baixo desempenho do Brasil no relatório do GTCI mostra o quanto ainda precisamos evoluir no que diz respeito à utilização da tecnologia associada à atração e retenção de talentos. Ficamos abaixo de países como Botsuana, Tunísia e Namíbia e, entre os países da América do Sul, só nos destacamos diante da Venezuela, Peru, Bolívia e Paraguai. A dura realidade justifica um cenário pouco insólito em razão de uma cenário político fragilizado e do baixo investimento em educação no país que, se consideradas suas extensões continentais, revela um número absurdamente alto de pessoas sem acesso à educação e capacitação profissional, limitando suas qualidades de inovação e desenvolvimento. Com certeza, um défice significativo para a sétima maior economia do mundo”.

Su-Yen Wong, CEO do Human Capital Leadership Institute, disse: “A tecnologia tem um profundo impacto sobre a natureza e estrutura do trabalho. Nesta era digital onde o trabalho está em constante evolução, um prêmio é colocado não sobre os funcionários que possuem o mais alto nível de competências técnicas, mas sobre aqueles que têm a capacidade de aprender e reaprender no trabalho. Muitos profissionais enfrentam o desemprego tecnológico e estrutural e, mesmo assim, não se reinventam. Para aproveitar o poder do capital humano, tanto os governos como as empresas devem incitar uma cultura de aprendizagem contínua na força de trabalho e também ajudar os indivíduos que não possuem o conjunto de habilidades apropriadas para o futuro”.

Como a mudança de transformação bem-sucedida é mais provável de ocorrer onde há ecossistemas fortes, cidades e regiões estão mostrando o caminho na competitividade de talentos. Eles frequentemente gozam de maior independência financeira e taxas de crescimento econômico do que os países em que estão localizados, são capazes de se concentrar em melhorar a qualidade de vida e tendem a ter uma tomada de decisão mais ágil e habilidades inovadoras. Para explorar ainda mais a dinâmica que transforma as cidades em ímãs de talentos, este ano foi lançado o Índice de Competitividade Global de Cidades por Talentos (Global Cities Talent Competitiveness Index, GCTCI).

A primeira edição do GCTCI inclui 46 cidades, com Copenhague em primeiro, seguida por Zurique e Helsinque. São Francisco e Los Angeles são as duas cidades americanas entre as dez primeiras, classificando-se em 4º e 8º lugar, respectivamente. Sydney e Singapura, classificando 12º e 19º respectivamente, lideram na Ásia-Pacífico. São Paulo, a única cidade brasileira classificada no ranking, ocupou a 42ª posição. Considerando que o desempenho das cidades foi medido em uma série de dimensões, todas as dez primeiras cidades combinam alta qualidade de vida, conectividade e níveis de oportunidades para exposição internacional e oferta de carreiras.

Índice de Competitividade Global de Cidades por Talentos 2017: Top 10

1 Copenhague 6 Madrid
2 Zurique 7 Paris
3 Helsinque 8 Los Angeles
4 São Francisco 9 Dublin
5 Gotemburgo 10 Eindhoven

 

Bruno Lanvin, autor desta seção especial do relatório sobre o GCTCI, ressalta que “embora a versão inicial do GCTCI apresentada este ano sinta, sem dúvida, melhorias significativas nos próximos anos, oferece também a imagem de um mundo no qual o talento não se move apenas de país para país, mas também de cidade em cidade, muitas vezes através das fronteiras nacionais. As cidades estão, portanto, emergindo como jogadores globais no cenário da competição de talentos; os rankings iniciais do GCTCI mostram que, embora megacidades como São Francisco, Madrid ou Paris estejam entre os líderes, cidades menores como Copenhague, Zurique, Gotemburgo ou Dublin são concorrentes a serem consideradas. São cidades onde os talentos podem encontrar excelentes oportunidades de carreira, boa conectividade (banda larga e transporte) e uma alta qualidade de vida para si e suas famílias”.

Ao analisar os países no índice, surgem vários padrões e tendências resumidos da seguinte forma:

  • A tecnologia e a hiperconectividade estão alterando a natureza do trabalho: juntamente com fatores demográficos, econômicos e sociais, estão impulsionando a ascensão de uma força de trabalho mais independente e dispersa. A flexibilidade é a palavra de ordem da nossa época, à medida que nos deslocamos de um ambiente em que o trabalho se baseava no emprego tradicional (assalariado) para um onde 30% dos EUA e a população ativa europeia são profissionais independentes;
  • Devemos pensar além da automação: não é simplesmente sobre tecnologia. Estamos vivendo uma profunda transformação da sociedade, organizações, carreiras, educação e emprego. As organizações tornam-se mais planas e interligadas; resultados e colaboração se sobressaem diante da autoridade e hierarquia; e o conceito de carreira múltipla tornou-se um novo conceito;
  • Competências técnicas associadas à jurisdição social e gestão de projetos são cruciais para o novo perfil de talento, uma vez que a inovação é cada vez mais oriunda da colaboração. Como o mundo em que vivemos é tão imprevisível, os jovens devem ser capacitados por “aprender a aprender”, juntamente com a criatividade, resolução de problemas e habilidades de comunicação. Os currículos devem consistir em abordagens de experiências e projetos, incluindo oportunidades de treinamento baseadas em trabalhos como sistemas de aprendizagem. Na era da carreira múltipla, além disso, a aprendizagem ao longo da vida é uma obrigação;
  • Políticas educacionais e do mercado de trabalho são os principais desafios da mudança transformacional: a cooperação entre o governo, empresas e instituições educacionais é fundamental para assegurar uma rápida reforma do sistema educativo e para conceber políticas de emprego que associem a flexibilidade do mercado de trabalho à proteção social;
  • A primeira versão (beta) do GCTCI oferece uma imagem incomum de como as cidades competem pelo talento: há muitas pequenas cidades entre as melhores do GCTCI (7/10 têm menos de 400 mil habitantes); Os melhores desempenhos combinam o melhor dos dois mundos (alta qualidade de vida combinada com oportunidades de exposição internacional e carreiras); e um número significativo de cidades escandinavas se posiciona entre as cinco primeiras, sendo beneficiadas de estratégias convencionadas a atrair e reter talentos.

 

Para mais informações sobre o Índice de Competitividade Global de Talentos e para realizar o download do material completo, acesse:: www.gtci2017.com.

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Para mais informações, por favor, contate:

Adecco Group Press Office: press.office@adecco.com or +41 (0) 44 878 87 87 – www.adecco.com.

Adecco Brasil – Departamento de Marketing e Comunicação: marketing.br@adecco.com ou +55 (11) 3087 0452 – www.adecco.com.br, ou fale diretamente com o responsável, Rafael Todesco, rafael.todesco@adecco.com.

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