Síndrome de Down: a inserção no mercado de trabalho é uma realidade?

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O mercado de trabalho é um desafio constante para todos nós. Quando iniciamos nossas carreiras, temos a oportunidade única de descobrir como é o funcionamento das empresas de fato, conhecendo de suas normas, processos e fluxos de produção, além do contato direto com outras pessoas – é neste aspecto, inclusive, que temos acesso a um mundo completamente novo. Lidamos com profissionais das mais diversas características e com realidades distintas que contribuem para a construção de nossas competências e qualidades técnicas, muitas vezes nos servindo como referências positivas ou negativas no ambiente de trabalho, sobretudo através do aprendizado de como agir diante de eventuais dificuldades, conflitos, conquistas e muitas outras circunstâncias.

São essas pessoas que nos fazem entender na prática o peso da palavra diversidade. As pessoas por si só são diferentes, e isso se aplica também no universo laboral. Sob esse entendimento, devemos considerar como real e necessária a participação de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, que muito contribuem para o desenvolvimento de nossas empresa e equipes – afinal, profissionais devem ser avaliados por seu desempenho, jamais por suas limitações físicas ou intelectuais. Hoje, 21 de março, é comemorado o Dia Internacional da Síndrome de Down e, por esse motivo, é dever da Adecco discutir sobre este tema.

Desde muito cedo, pessoas diagnosticadas com Síndrome de Down recebem cuidados especiais com relação ao seu desenvolvimento, principalmente por parte da família. Sendo uma deficiência intelectual congênita, muitos recebem uma vigilância além do necessário (acatando as variáveis de funcionamento intelectual entre o leve e o moderado, em algum momento da vida os portadores da síndrome necessitam vivenciar suas próprias experiências).  O trabalho é uma excelente condição que favorece para que estes indivíduos possam aguçar sua qualidade analítica, compreender sobre a importância do cumprimento de tarefas e metas, além de colaborar para a constituição do senso de responsabilidade, compromisso, autoconhecimento e autoconfiança.

Muitas vezes esquecidos pela sociedade do trabalho, as empresas começaram a considerar a inclusão deste e de outros tipos de deficientes em seu quadro de funcionários graças a Lei nº 8.213, popularmente conhecida como Lei de Cotas, vigente no país desde 24 de julho de 1991. Todavia, cabe às empresas compreenderem que estes profissionais não devem ser contratados apenas como forma de cumprimento da lei, pelo contrário; portadores da Síndrome de Down possuem propriedades e capacidades que devem ser levadas em consideração.

De um modo geral, as funções delegadas a estes profissionais ainda se resumem em atividades operacionais que possam ser executadas sem grande complexidade e, na grande maioria das vezes, supervisionadas por pessoas disponíveis a ajudá-los. Por mais digna que possa parecer esta atitude, ela continua sendo discriminatória – a maioria dos empregadores acredita que cargos banais estão mais bem adequados ao tempo de aprendizado e limitações daquele profissional; no entanto, nós sabemos verdadeiramente do tempo e das limitações que ele possui? Da mesma maneira que pessoas sem deficiência intelectual contam com particularidades em relação ao tempo de aprendizagem e aperfeiçoamento de suas habilidades, entendemos que pessoas com Síndrome de Down não estão limitadas a contribuir apenas para funções meramente operacionais, afinal, levando em consideração seu desenvolvimento e grau de funcionamento intelectual, não existem limites para o seu crescimento.

Portanto, cabe a todos nós refletirmos quanto à consideração destes profissionais em postos de trabalho que possam capacitá-los e desenvolvê-los, agregando de forma sistemática ao mercado de trabalho e às organizações que neles investem. Vamos fazer nossa parte.

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